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27 de agosto: Dia do Psicólogo e vésperas do Setembro Amarelo

Em meio a pandemia, a importância do mês de prevenção ao suicídio se torna ainda mais vital.

No dia 27 de agosto é comemorado o Dia do Psicólogo, data marcada pela regulamentação da profissão pela Lei 4.119 de 1964. Neste ano, a homenagem aos profissionais de saúde mental traz também uma enorme responsabilidade: uma luta contra o adoecimento psicológico mais árdua devido à pandemia provocada pela Covid-19, que não só afetou o físico, mas também o mental da população.

Viviane Corrêa Barbosa, terapeuta ocupacional atuante no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS Casa Gentileza) de Macapá, afirma que a procura para atendimento aumentou bastante na pandemia, vindo de pessoas que, mesmo após superarem o vírus, ainda carregam traumas e medos pela experiência com a doença. Outra demanda crescente vem também de pacientes que não tiveram o Coronavírus, mas, devido ao isolamento social, que retira ocupações significativas de suas rotinas, acabam adoecendo mentalmente, fazendo com que todo o estilo de vida do último ano seja algo perigoso e hostil.

Outra questão que contribui para o adoecimento populacional é a própria situação da saúde e política no geral. A falta de medicamentos e suporte à vida nas UTI’s, superlotação de hospitais e alta taxa de mortalidade da doença, gerando sensações de perda e pessimismo constante, contribuem para o perigo psicológico de se conviver com uma pandemia mundial no estado do Amapá. 

Aline pinheiro Guimarães, psicóloga clínica e atuante na área há 6 anos, expõe como estas situações de políticas públicas perante o vírus tem se impactado na saúde mental do amapaense. “Eu vejo que não só no meu consultório, mas também no consultório de outros colegas, o número de pessoas buscando cuidados devido aos impactos da pandemia tem crescido”, pondera.

“Não só a população como os profissionais da saúde têm sofrido com essa demanda”, explica ela ao expor o quanto os profissionais de todas as áreas da saúde estão sobrecarregados, ao ponto deles mesmos sofrerem com as consequências exaustivas da pandemia.

Neste contexto se aproxima o Dia do Psicólogo, que marca não só um lembrete da união da classe como a importância do profissional que cuida do mental da população, alertar a população de que seu psicológico merece tantos cuidados quanto seu físico, e, além de tudo, prepara o caminho para o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.

Uma das consequências finais e mais perigosas desse adoecimento populacional é a pauta em debate no mês de Setembro, onde as ações de prevenção que perduram o ano inteiro se intensificam e tomam maior visibilidade do que relembra a importância da vida em um dos anos com mais sensação comunitária de mortalidade. 

As campanhas mais intensas neste mês em ONG’s, faculdades, empresas, redes sociais e comunidades focam na identificação dos transtornos psicológicos não só em si quanto nas pessoas ao seu redor; na fomentação de discussões sobre o tema e encará-lo; incitar a busca por ajuda onde os psicólogos e terapeutas possam tratar as mais diversas formas de manifestação de transtornos mentais. 

No entanto, também é importante que as instituições de saúde mental estejam preparadas para receber esse aumento na demanda e valorizar da melhor forma possível a vida, seja em qual circunstância.

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