Polícia

Jovem diz que foi estuprada por cinco anos pelo marido da tia

“Eu não sou a mesma há anos. Isso acabou com a minha vida”, revelou a jovem de 19 anos de idade, que vamos chamar nesta matéria de “Bianca”, violentada sexualmente durante cinco anos, por uma pessoa da família.

Por telefone, nossa equipe conversou com Bianca e ela aceitou falar sobre o assunto que lhe consumiu a alegria e a vontade de viver durante longos anos. Atualmente casada, ela contou ao portal alynekaiser.com.br que guardou durante todo esse tempo o segredo da violência que sofreu, por medo e vergonha, mas que ao tomar conhecimento de um caso semelhante ao seu, ocorrido no município de Santana, decidiu denunciar seu agressor.

“Depois de ser abusada sexualmente dos 12 aos 17 anos, guardei tudo, pois sempre tive muito medo. Mas meu corpo fala, minha mente me perturba e minha alma grita. Então, em janeiro do ano passado conheci meu marido e aí, acordei ‘pra’ vida. Eu formei uma família com ele e sempre pensava, como seria? Até quando eu iria aguentar guardar tudo o que aconteceu, tudo que vivi? No final do mesmo ano, fizemos uma viagem, na qual vimos uma reportagem em site de notícias aqui do Amapá, onde uma criança de 12 anos também foi estuprada por um capitão do Corpo de Bombeiros Militar, que no caso era marido de sua tia materna. Isso me tocou, porque era uma história muito parecida com a minha. Eu me vi naquela situação. Só que no meu caso, não foi só uma vez. Foi durante anos. Eu cai num profundo choro, nos braços do meu marido, sem ação e sem forças. Decidi que era a hora e o momento de revelar tudo. Sem ao menos saber o que poderia acontecer comigo. Uma vez que ele é Policial Militar. Esse era meu maior medo. Pois, nas ameaças ele sempre dizia que caso eu falasse à alguém, ele iria me matar, jogar meu corpo em uma vala rasa e ninguém iria me achar, porque ele tinha como fazer e sabia fazer”, desabafou.

Conforme o que foi relatado pela vítima no Boletim de Ocorrências (BO), registrado na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e Adolescente (Dercca) em janeiro de 2021, Bianca sofria os abusos quando ia passar os finais de semana na casa da tia materna. O abusador, que é policial militar, era marido da irmã de sua mãe.

“Os estupros começaram a acontecer quando eu tinha 12 anos. Eu ia para a casa da minha tia, ficar com os meus primos e ele esperava todos dormirem. Aí, ele me ameaçava com a arma, me sufocava com o travesseiro. Quando terminava, o ato ele mandava eu tomar banho e me dava a pílula do dia seguinte. Isso aconteceu até eu completar 17 anos”, lembrou a jovem.

Bianca disse que a criança, vítima de abuso no caso do Bombeiro Militar, foi sua maior inspiração, e que mesmo não conhecendo a menina, mesmo sem saber quem ela era, se espelhou na coragem da mesma e da mãe, resolveu abrir o jogo e procurar a polícia.

“Resolvi denunciar e eu quero ser voz, eu quero ser coragem pra muitos e muitas, eu tô disposta a me abrir pro mundo, me libertar depois de anos. Eu quero poder gritar, eu quero que se faça justiça. E que a justiça seja justa e condene esse bandido”, exclamou ela.

Além de Bianca, testemunhas que tiveram conhecimento dos fatos na época e o acusado, foram ouvidas. De acordo com o delegado Ronaldo Entringer, que presidiu o Inquérito Policial (IP), o policial negou as acusações. Mesmo assim, o caso foi concluído, a denúncia foi ofertada pelo Ministério Público (MP) e, posteriormente, remetido à Justiça. A autoridade policial falou que entre as provas, está o laudo pericial psicológico, obtido durante o depoimento especial em juízo.

Delegado Ronaldo encaminhou inquérito ao MP

“Esse laudo é feito após o Ministério Público oferecer a denúncia. É um depoimento que acontece na presença do juiz, do promotor e do advogado de defesa, que ficam em outra sala. As perguntas, a entrevista é feita por intermédio de um especialista, um psicólogo. É o laudo desse profissional, que garante a veracidade dos fatos”, explicou Entringer.

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