Polícia

“Lene quer me trancar em casa, em cárcere privado”, disse policial penal em áudios a irmã e mãe minutos antes de morrer

Áudios divulgados no fim da tarde desta terça-feira, 16, supostamente enviados pelo policial penal José Eder Ferreira Gonçalves, de 44 anos, à mãe e irmã, minutos antes de ser assassinado pela esposa Maria Darcy Farias Moraes, de 42 anos de idade, demonstraram que ele queria ir embora e era impedido por Maria. Segundo familiares de Eder, eles estavam separados de fato há 2 meses e viviam um relacionamento conturbado.

“Eu já estava até parando de me preocupar, agora vem de novo isso. Ela falou que não ia mais te perseguir”, respondeu a mãe ao filho, também em áudio. No decorrer da mensagem ele informa que: “Ela não quer deixar eu sair daqui, fica querendo entrar no carro. Já falei para vocês que não tem acordo quando venho em casa pra ficar com as crianças”, foram suas últimas palavras.

Em outro áudio, enviado à irmã, Eder diz que: “Lene quer me trancar em casa, em cárcere privado. Quando eu sair daqui nós vamos à delegacia”, falou ele para a irmã Ederly Goncalves. Ele não teve tempo de procurar a polícia.

Relacionamento Conturbado

Segundo o cunhado de Eder, Marcus Bordalo, os dois viviam num relacionamento complicado e a cerca de 2 meses estavam de fato separados. Maria, inclusive, já teria utilizado a pistola do policial e tentado atirar nele, sem sucesso.  “Ela não aceitava de fato a separação. Ela ia no trabalho dele, no Iapen e fazia vários escândalos. Ele acabava cedendo, com vergonha, e levava ela para casa, onde ela não o deixava sair. Ele nunca quis procurar a delegacia para registrar boletim porque achava que isso ia dificultar a relação dele com os filhos”, informou.

Ainda segundo Marcus, no dia do assassinato, ela falava que já tinha avisado a Eder que caso não voltasse com ela, iria matá-lo.

Policial penal foi morto em um condomínio na zona norte de Macapá (Foto: Celiane Freitas)

Relembre o caso

Maria Darcy acabou presa em flagrante na manhã do dia 12 de novembro, depois de matar o marido, o policial penal José Eder, com uma única facada no pescoço. O crime aconteceu num apartamento no condomínio Vitória Régia, no bairro São Lázaro, na zona norte de Macapá.

Segundo informações do delegado que preside o Inquérito Policial (IP), Luiz Carlos Gomes Júnior, a motivação para o crime pode estar relacionada com o fato da acusada não ter aceitado a separação, e a descoberta de possíveis amantes de José Eder. “Os vizinhos relataram que teriam ouvido a discussão entre o casal e o motivo seria porque ele queria separar dela, queria ir embora. O filho adolescente deles que estava na casa confirma a informação que o pai queria sair e a mãe teria trancado as portas para impedir a saída dele. Nessa discussão ela se arma com a faca e vai na direção dele. O garoto conta que viu o casal frente a frente, a mãe tentando esfaquear o pai e logo em seguida, o pai cai”, detalhou Luiz Carlos.

Eder e Maria Darcy tinham relacionamento conturbado

Em depoimento, ela inverte a história, dizendo que ele que teria impedido a saída dela. Que ela queria sair da casa e, a partir daí, ela confessa que se armou com essa faca na tentativa de se matar. Mas, a vítima teria tentando impedir o ato e na briga, segundo relatos da acusada, ela acaba ferindo o marido”, acrescentou o delegado.

Na oitiva, Maria Darcy revelou ainda que teve várias brigas com o marido e que, em sua maioria, o motivo foi por causa da descoberta de traições. José Eder, segundo a acusada, teria alguns relacionamentos fora do casamento. Ela contou ainda, que o casal vivia em conflito, mas que sempre acabava se reconciliando. E que dessa vez, a motivação da briga teria sido porque a mesma teria descoberto um novo relacionamento do policial com uma colega do trabalho.

Para a autoridade policial, a acusada alegou que sofre de depressão. Há informação que na semana passada a mesma teria tentado tirar a própria vida usando a arma de José Eder, mas que foi impedida por ele. “Há relatos da família de que ele sempre tinha a preocupação de desmontar a arma quando voltava pra casa, para impedir qualquer ação dela. A versão dela é de que ela não teve a intenção de matar e que teria lesionado o mesmo culposamente nessa briga do casal pela posse da faca”, disse o presidente do IP.

A acusada falou também que sofria agressões por parte de José Eder, entretanto, o delegado disse que após consultas, não encontrou nenhum registro de violência doméstica. “Ela alega que na manhã do fato o casal teria saído junto e dentro do carro ele teria empurrado ela e desferido um soco na região da barriga. Aqui na delegacia ela relatou que já agrediu algumas mulheres que tiveram casos com o marido dela. A informação do filho é que o pai estaria muito tranquilo, querendo apenas sair de casa e que não percebeu nenhuma violência da parte dele. Já a mãe, estaria bastante exaltada e violenta”, disse a autoridade policial.

Durante o depoimento, o filho do casal, que foi a única testemunha ocular, detalhou a dinâmica do crime. O jovem falou que assim que a mãe esfaqueou o pai, ele pulou a janela para pedir socorro aos vizinhos, haja vista que as portas da casa estavam fechadas e a mãe não teria autorizado a saída dele

“Ele consegue fugir pela janela e pede socorro aos vizinhos. Os vizinhos vão até o local e são impedidos de entrar pela infratora. Depois de uma conversa, ela [Maria Darcy] autoriza a entrada de uma moradora vizinha e essa mulher, ao ver a vítima caída e ferida, pega um pano pra tentar estancar o sangramento. No entanto, essa mulher é impedida pela acusada de socorrer a vítima, que ainda estava com vida e poderia ter sido socorrida. A própria criminosa diz que era pra deixá-lo morrer ali, porque só assim iria aliviar o sofrimento dela. Isso demonstra a intenção dela de consumar o crime”, avaliou Luiz Carlos.

Maria Darcy foi indiciada por homicídio qualificado por motivo fútil. Várias testemunhas do caso, incluindo os policiais militares que chegaram primeiro ao local, encontraram a arma do crime e efetuaram a prisão da acusada, o filho do casal e os vizinhos, começaram a ser ouvidos.

Ela foi submetida a audiência de custódia e deve responder ao processo inicialmente em prisão domiciliar.

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