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Autoridades oficializam o encerramento das buscas pelos adolescentes desaparecidos em Calçoene

Operação pode ser retomada se alguma evidência for de fato encontrada

Em uma coletiva concedida à imprensa na tarde desta segunda-feira, 26, comandantes das Forças de Segurança envolvidas nas operações de buscas pelos dois adolescentes que estão desaparecidos em uma região de floresta no Município de Calçoene – distante a 365 km da capital amapaense, anunciaram oficialmente o encerramento dos trabalhos.

Áreas de difícil acesso na mata

De acordo com o coronel Wagner Coelho, comandante do Corpo de Bombeiros do Amapá, a suspensão em caráter temporário, acontece pela falta de evidências concretas que possam levar ao paradeiro dos jovens perdidos.

Área varrida pela equipe

“Estamos informando o que muitos de vocês já sabem. Que nós suspendemos as buscas na mata. Estamos agora trabalhando em outra frente, que é com a Polícia Civil. Havendo uma necessidade, dentro das investigações, de fazer novas incursões na região, conforme as informações forem chegando, nós poderemos retornar”, disse.

O trabalho das forças de segurança foi intenso

Este não é o primeiro caso de pessoas desaparecidas em área de mata no Amapá. Porém, segundo o Corpo de Bombeiros, é o que pode ser considerado o mais longo da história. O coronel lembrou de outros dois episódios onde os trabalhos de buscas também foram complexos. Um dos casos aconteceu em 2008 no distrito de Lourenço. Na ocasião, dois garimpeiros foram soterrados em uma mina. Os corpos nunca foram encontrados. A outra ocorrência foi ano passado, o naufrágio na embarcação Anna Karoline III. As buscas que contaram com o apoio de mergulhadores de outros Estado da federação, duraram cerca de 45 dias. O corpo de uma criança até hoje não foi localizado.

Cada equipe andou cerca de 20km

Sobre os jovens sumidos na mata de Calçoene, um dos coordenadores da operação de buscas, capitão Chucre, afirmou que foram encontradas algumas pistas como galhos quebrados e pegadas. No entanto, nenhuma delas teve correlação com os garotos.

Ao longo de 16 dias de incursões pela floresta, na tentativa de localizar os adolescentes, as equipes percorreram diariamente cerca de 20 quilômetros por terra e 30 pelos rios da região. Muitas dificuldades foram encontradas pelo percurso, entre elas o capitão destacou a dimensão e a distância do local, além das chuvas torrenciais que caíram na cidade.

Equipes reúnem a cada nova clareira na mata

Com o término das buscas, o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do município. De acordo com o Delegado Geral, Uberlândio Gomes, até o momento nove pessoas foram ouvidas no Inquérito Policial (IP) presidido pelo titular de Calçoene, delegado Niury Relry.

“O sumiço desses meninos chegou ao conhecimento da nossa delegacia dois dias depois. Foi quando o boletim de ocorrências foi oficializado. Em tese, o desaparecimento de pessoas, por si só, não caracteriza crime. Para isso, eu preciso ter autoria e materialidade, o que não temos. Mesmo assim, foi feito o levantamento preliminar, a oitiva da mãe, de parentes, amigos, pessoas do assentamento. Surgiu a possibilidade de uma eventual hipótese de cometimento de crime. Essas informações foram confrontadas e, até o momento, após os depoimentos, diligências e relatórios de investigação, não conseguimos vislumbrar nenhum crime”, esclareceu o delegado geral.

O comandante geral da Polícia Militar, coronel Paulo Matias, garantiu que a instituição empregou todos os esforços possíveis para resgatar Renato Siqueira de Jesus, de 13 anos de idade e Fabrício Oliveira Barbosa de 14, com vida.

Forças de segurança utilizaram barcos para adentrar Igarapés

“Tudo o que estava ao nosso alcance foi feito. Mas, achamos é muito difícil a localização desses garotos nessa área. Pela logística que foi empregada, certamente, o barulho da aeronave que fez os sobrevôos, o barulho da motosserra, os gritos dos nosso homens, os apitos, os rojões, teria dado uma orientação para qualquer pessoa que estivesse perdida naquela mata”, lamentou o comandante da PM-AP.

O uso do helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA) foi de fundamental importância no processo de buscas pelos adolescentes perdidos. O comandante do grupamento, o policial Rachid, explicou que graças a aeronave, que fazia o transporte dos civis e militares, e dos equipamentos utilizados por eles, as equipes ganharam maior viabilidade e mobilização.

“Operamos com 17 componentes. Nosso apoio foi no deslocamento das equipes de buscas e isso fez uma diferença muito grande. Fechamos esse primeiro momento com aproximadamente 40 horas de vôo. Uma média de 3 horas diárias em apoio direto”, detalhou o comandante do GTA.

Relembre o caso

Fabrício e Renato estão desaparecidos há 19 dias. A informação é que eles saíram na manhã do dia 8 de abril, de um assentamento que fica há 23 quilômetros da sede do município de Calçoene, para apanhar açaí e desde então não foram mais vistos.

Uma Força Tarefa que envolveu a Polícia Militar através da Companhia de Operações Especiais (COE), do Bope e o Batalhão do município, Corpo de Bombeiros, Grupamento Tático Aéreo, Exército Brasileiro, Polícia Civil, Guarda Florestal e voluntários, foi montada e fez varreduras durante 17 dias.

Informações desencontradas chegavam a todo momento. Um cachorro que a princípio estaria com os meninos, foi encontrado seis dias depois e gerou esperança nas equipes de buscas. Mas com o encontro do animal, a polícia descobriu que ele pertencia a um morador das redondezas e não estava com a dupla de jovens. O que acabou frustrando os envolvidos na operação.

Com o anúncio do fim das buscas, familiares e moradores de Calçoene garantiram que irão continuar a procurar por Renato e Fabrício, mesmo sem a ajuda das forças de segurança.

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